sexta-feira, 29 de abril de 2011

A volta de Delúbio

8 Gritos
Caroline Dias


A volta do ex-tesoureiro Delúbio Soares às fileiras do PT dividiu opiniões esta semana. Cinco anos após sua expulsão do Partido dos Trabalhadores  por ter sido apontado pela CPI do Mensalão como um dos responsáveis pela arrecadação de valores em caixa dois para o pagamento de apoio parlamentar, junto com o empresário Marcos Valério de Souza e o então ministro da Casa Civil José Dirceu, Delúbio Soares está reunindo apoio para tentar voltar à legenda.
O ex-tesoureiro apresentou nesta quinta-feira (28) uma carta com um pedido de refiliação ao partido. Em três parágrafos, o professor argumenta que nunca procurou outra legenda e que se manteve fiel ao PT durante todo o tempo em que permaneceu fora do partido.
Dividido, o Diretório Nacional do PT começou na manhã desta sexta-feira a decidir a volta de Delúbio.
Para a senadora Marta Suplicy (PT-SP), "a hora de votar o retorno do Delúbio é agora, porque em 2012 haverá eleições e essa questão provocará mais polêmica". A opinião é compartilhada pelo ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, que em 2006 teve de se afastar do cargo durante as investigações sobre a compra de um dossiê por petistas. "Delúbio tem que desencarnar. Não se trata de anistia, mas, depois de cinco anos, o partido avalia que ele já cumpriu sua pena", afirmou.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse acreditar que o PT vá aceitar o pedido de Delúbio, mas considera, pessoalmente, o momento errado para o partido discutir o assunto.  "O assunto volta à tona e pode influenciar no julgamento o que prejudicaria o próprio Delúbio", afirmou. O ex-tesoureiro é um dos 39 réus no processo do mensalão.
Com a possível refiliação, os militantes do PT  organizaram um abaixo assinado. Em carta enviada ao Diretório, eles citam que “qualquer militante do PT de todo o Brasil sabe muito bem o dano que as atitudes tomadas pelo ex-Tesoureiro Delúbio Soares ocasionaram ao Partido e não vemos nenhum argumento que justifique seu retorno aos quadros do Partido dos Trabalhadores.”

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mulher de Malandro

10 Gritos
    O “Diário Oficial da Cidade de São Paulo” publicou na última quarta (6) um projeto de lei que discute a criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher,  feito pelos vereadores Netinho de Paula e Jamil Murad, ambos do PC do B. Antes do projeto ser encaminhado para sansão do prefeito Gilberto Kassab, ele deverá passar por quatro comissões da Câmara e ser aprovado em duas sessões.
    A surpresa é: um dos autores da lei, o vereador Netinho, foi acusado de espancamento pela ex-mulher em 2005 e condenado por agredir e ofender uma funcionária da Vasp em 2001. A incoerência não para por aí. O motivo que incentivou o vereador a encabeçar a proposta foi a grande procura de mulheres vítimas de agressões e abusos por seu gabinete “Elas sabem da minha história, do que aconteceu com minha ex-mulher, e admiram o fato de eu ter admitido que cometi um erro e que tento reparar. Achei que seria uma grande contribuição desenvolver um projeto que representasse as mulheres”, contou Netinho para o Diário. Ele afirmou que os casos que recebe no gabinete diferem do seu, pois as agressões que essas mulheres sofrem são frequentes e não isoladas, como o episódio de sua ex-mulher, o que levanta a questão: a mulher é mais ou menos amparada se for uma, duas ou três vezes agredida?
    O projeto prevê pontos importantíssimos para as mulheres da cidade de São Paulo, como formular diretrizes, programas e políticas públicas que visem melhoras as condições de vida da mulher, assegurar plena participação e igualdade nos planos político, econômico, social, cultural e jurídico, além de eliminar todas as formas de discriminação e violência, esta última, já praticada pelo vereador, mesmo que em episódio isolado.
    “A maioria dos municípios de São Paulo tem um conselho para tratar exclusivamente dos direitos da mulher, mas São Paulo ainda não tem. Esse conselho vai ser estabelecido para que possa receber e acompanhar denúncias e investigações de crimes, oferecer suporte e uma série de ações”, disse Netinho. Cabe a nós refletir se essa é mais uma conquista feminina, uma vez que garante direitos básicos para as paulistanas, ou se é uma ação vazia, que em sua própria incoerência, mostra o quanto a luta das mulheres tem a percorrer.




Ju Marcelino

Dê sua opinião. GRITEE!

0 Gritos

terça-feira, 5 de abril de 2011

Aí sim, fomos surpreendidos novamente

17 Gritos
 Por Caroline Dias
         

Não há dúvidas que o assunto da vez é a polêmica entrevista dada pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao quadro “O Povo quer Saber”, do humorístico CQC. Simpatia a ditadores, ser contra cotas raciais e declarar a Preta Gil que não discutiria promiscuidade e que seus filhos foram bem educados e não viveram em um ambiente como ‘lamentavelmente’ era o dela, foram algumas das respostas que repercutiram internacionalmente na última semana.
Nesta segunda – feira (4) o parlamentar voltou ao programa para uma possível retratação. "A resposta dada por mim não se encaixa na pergunta. Até porque eu não gosto da Preta Gil, já que é um direito meu não gostar dela. Se eu tivesse entendido a pergunta, eu responderia que ele é maior de idade e o problema é dele. Eu aceitaria que meu filho namorasse com qualquer pessoa, desde que não tenha o comportamento de Preta Gil", afirmou. Além disso uma  foto de seu cunhado foi mostrada para provar que a acusação de ser racista é falsa e emendou: “nenhum pai teria orgulho de ter um filho gay ou uma filha lésbica”.
Tais declarações não foram o ápice da noite. O deputado ser ou não racista ou homofóbico, ter ou não se prejudicado ainda mais com a nova entrevista e a clara irritação de Marcelo Tas ao defender a si mesmo e ao programa, da insinuação do parlamentar que o humorístico poderia ter manipulado a pergunta de Preta Gil não foram o ponto principal da atração.
O surpreendente foi a foto divulgada pelo âncora do CQC seguida pelo depoimento: "O deputado mostrou uma foto de uma pessoa pra justificar que ele não é racista. Eu gostaria de mostrar pro senhor, deputado Bolsonaro, uma foto, e que o senhor soubesse o seguinte: essa pessoa que está aqui comigo se chama Luiza, é minha filha, ela estuda Direito. Essa foto foi feita em Washington, onde ela vive hoje, ela ganhou uma bolsa pra ser bolsista da American University, é estagiária da OEA, da Organização dos Estados Americanos, ela é gay e eu tenho muito orgulho de ser pai da Luiza. Tá certo deputado?!".
A surpresa não é a filha de uma grande voz do jornalismo ser homossexual. O que surpreende é a coragem, orgulho, força e asco por discriminação revelados por Tas. Seria ótimo se todos os pais, irmãos, amigos e parente aceitassem a opção sexual diferenciada do convencional. Seria renovador se a sociedade incluísse em seu meio os gays, as lésbicas, os afrodescententes, os gordinhos, as mulheres, os índios. Declarações como a do deputado seriam imperceptíveis e não provocariam revolta. Seria como a preferência declarada por um ou outro time de futebol, cantor ou filme. Seria como não gostar de pessoas escandalosas ou violentas. Simplesmente seria uma opinião.
Fala-se tanto em inserção social, igualdade de gêneros, mas isso só será possível quando declarações infames de representantes políticos não forem levadas em consideração, divulgadas por todas as mídias sociais e gerar vergonha aos cidadãos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bolsonaro e Liberdade de Expressão

10 Gritos
O assunto mais comentado dos últimos dias foi o quadro 'O Povo Quer Saber' do programa CQC, onde o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) respondeu a uma pergunta da cantora Preta Gil afirmando que não corria o risco de seus filhos se envolverem com uma negra, pois não os criara num ambiente de promiscuidade. Dias depois, se retratou, dizendo que se confundiu, pois achou que a pergunta se referia à gays. Ou seja, saiu de uma resposta racista para uma que, se não é, beira a homofobia.

Além disso, o deputado fez questão de afirmar sua simpatia com a ditadura, em especial o governo de Médici, Geisel e Figueiredo. Se posicionou contra a lei de cotas em universidades e foi categórico ao afirmar que um filho gay é o resultado de uma má educação e que a parada do orgulho gay é uma promoção de maus costumes. Por tais declarações, a cantora Preta Gil disse em seu Twitter que irá processá-lo.

Garimpando pelo Youtube, acabei encontrando esse vídeo, no qual Bolsonaro e um representante do Movimento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) debatem suas ideias em um link da TV Senado.

Homossexuais e as diversas raças e culturas são uma realidade em nosso mundo. Além disso, a diversidade de opiniões tem sempre que ter espaço em sociedades democráticas, através da liberdade de expressão. As opiniões do deputado são claramente questionáveis. Mas ainda assim, é uma opinião. Qual a linha que separa a liberdade de expressão e a ofensa? Bolsonaro merece ter seu mandato cassado, assim como a OAB quer?

Não fique mudo! Grite! Opine!

Vossa Excelência, A Opinião

0 Gritos
Existe coisa mais complexa de definir do que opinião? Para os filósofos, opinião é a "ideia confusa acerca da realidade e que se opõe ao conhecimento verdadeiro". Já o dicionário define como uma "maneira pessoal de julgar; conceito formado a respeito de um assunto, tema ou conversa, seja ele refletido ou infundado; julgamento de valor acerca de algo ou alguém". A opinião, através da liberdade de expressão, é um direito em sociedades democráticas. Porém, nossa opinião é realmente nossa? Nós a construímos ou apenas repetimos discursos já criados?

Somos até forçados a ter opinião sobre várias coisas. Mas isso é estranho em um país onde a informação é restrita. E mais do que isso, o Brasil não possui definições claras. Eu sou de esquerda... mas qual partido é realmente de esquerda hoje em dia? Eu sou de direita, mas a direita hoje em dia é contra privatização? Eu sou de centro, mas o que pensa o centro?

Ouvimos desde crianças que futebol, religião e política não se discute. Somos, aos poucos, forçados a ficar mudos. Não emudeça. Se você não tem uma, então se informe e construa sua própria. Nossos atos são contruídos por nossas escolhas, e estas são guiadas pela nossa opinião. Opine, berre, grite!