A volta do ex-tesoureiro Delúbio Soares às fileiras do PT dividiu opiniões esta semana. Cinco anos após sua expulsão do Partido dos Trabalhadores por ter sido apontado pela CPI do Mensalão como um dos responsáveis pela arrecadação de valores em caixa dois para o pagamento de apoio parlamentar, junto com o empresário Marcos Valério de Souza e o então ministro da Casa Civil José Dirceu, Delúbio Soares está reunindo apoio para tentar voltar à legenda.
O ex-tesoureiro apresentou nesta quinta-feira (28) uma carta com um pedido de refiliação ao partido. Em três parágrafos, o professor argumenta que nunca procurou outra legenda e que se manteve fiel ao PT durante todo o tempo em que permaneceu fora do partido. Dividido, o Diretório Nacional do PT começou na manhã desta sexta-feira a decidir a volta de Delúbio.
Para a senadora Marta Suplicy (PT-SP), "a hora de votar o retorno do Delúbio é agora, porque em 2012 haverá eleições e essa questão provocará mais polêmica". A opinião é compartilhada pelo ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, que em 2006 teve de se afastar do cargo durante as investigações sobre a compra de um dossiê por petistas. "Delúbio tem que desencarnar. Não se trata de anistia, mas, depois de cinco anos, o partido avalia que ele já cumpriu sua pena", afirmou.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse acreditar que o PT vá aceitar o pedido de Delúbio, mas considera, pessoalmente, o momento errado para o partido discutir o assunto. "O assunto volta à tona e pode influenciar no julgamento o que prejudicaria o próprio Delúbio", afirmou. O ex-tesoureiro é um dos 39 réus no processo do mensalão.
Com a possível refiliação, os militantes do PT organizaram um abaixo assinado. Em carta enviada ao Diretório, eles citam que “qualquer militante do PT de todo o Brasil sabe muito bem o dano que as atitudes tomadas pelo ex-Tesoureiro Delúbio Soares ocasionaram ao Partido e não vemos nenhum argumento que justifique seu retorno aos quadros do Partido dos Trabalhadores.”


A opinião, através da liberdade de expressão, é um direito em sociedades democráticas. Porém, nossa opinião é realmente nossa? Nós a construímos ou apenas repetimos discursos já criados? 