segunda-feira, 30 de maio de 2011

A que assiste é a mesma que bate

Moradores do bairro nobre de Higienópolis fizeram um protesto há duas semanas no mínimo inusitado. Criticando a manifestação de um grupo de pessoas contrárias à instalação de uma estação de Metrô no local, porque segundo uma senhora gente "diferenciada" passaria a transitar no local, residentes da localidade fecharam a Rua Angélica e promoveram o "Churrascão de Higienópolis" para protestar. Com dizeres "Ahá! Uhu! O metrô é nosso!", "Ei! Kassab! Vá pegar metrô", e "Mamãe eu quero metrô", o grupo de 600 pessoas carregava caixas de refrigerante, cerveja e carne para todos os lados. Até a comunidade judaica que mora na região participou da festividade crítica.

Na semana seguinte, o vão do MASP, na Av. Pauilista, foi a porta de entrada para a "Marcha da Liberdade de Expressão". Na realidade, a manifestação fora intitulada primeiramente como "Marcha da Maconha", porém, no dia anterior, o Tribunal de Justiça de São Paulo vetou a passeata alegando apologia ao consumo do entorpecente. Mesmo assim, todos os envolvidos se reuniram na Av. Paulista no sábado à tarde para rebater a decisão judicial prometendo não falar a palavra "maconha" durante a caminhada. O resultado final foi uma briga campal entre manifestantes e polícia com um saldo de oito presos.


A dualidade de comportamento da polícia é paradoxal nos dois eventos. Em Higienópolis, eles apenas assistiram à carne sendo assada, enquanto que na Av. Paulista, utilizaram na força com cacetes, bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta e detenções. A pergunta que fica colocada para discussão é por que os PM's tiveram comportamentos diferentes em duas manifestações que estimulavam o debate público? A instalação de uma linha do metrô em uma bairro nobre é tão importante quanto a discussão sobre descriminalizar ou não o consumo da maconha.

Os pré-conceitos sobre a droga e o registro constitucional da demonização estimulam fortemente a repressão sem haver a troca de ideias. A sociedade e a mídia, intuitivamente, ligam a maconha ao tráfico. Antes, há de ter uma simples distinção dos muros: usuário é apenas aquele que consome para si. O que varia é a intensidade, o que, como tudo em excesso, pode causar a dependência, em estágios mais avançados levando-o ao tráfico. Até estudos científicos recentes apontam benefícios à saúde se consumida em quantidade adequada. Civilizações pré-históricas já a utilizavam para tais fins. A ervinha não nasceu destes tempos modernos. Já o tráfico é a comercialização dela para apossar lucro. Com isso, há uma debandada de crimes, principalmente em regiões viradas de costas pelo poder público.

Em Higienópólis, há uma crise que aguça o preconceito social. A declaração da moradora dizendo que a instalação do metrô no local provocaria a vinda de gente "diferenciada" é um argumento nefasto que não convence nem inglês - apenas o prefeito Gilberto "Kibe" Kassab e o governador Geraldo Alckmin. Os empregados que trabalham em um dos locais de comércio mais nobres da capital, o Shopping Higienópolis, podem se beneficar com o Metrô. A posição passiva da polícia é muito simples: quem já viu alguém ser preso por preconceito racial?

O texto não pretende se posicionar sobre a maconha, a qual cabe um capítulo a parte, ou à instalação do Metrô, que ficou definido superficialmente a opinião deste autor. A intenção é debater os motivos de comportamento da polícia em dois eventos que pretendiam mexer com a opinião pública. E você, qual sua opinião sobre o comportamento da polícia nos dois casos?

Não fique mudo... Grite! Opine!


Marcos Araújo

6 Gritos:

Carina disse...

Carina, 22 anos, Jundiaí

Os comportamentos diferentes podem ter variado segundo as instruções que eles tiveram.
No caso da manifestação da maconha, um assunto polêmico, agir com violência talvez tenha sido uma forma de querer reprimir o movimento.(Como o próprio texto cita, essa questão gera muito preconceito e a imagem da erva está fortemente relacionada ao tráfico.)
Desta forma, não julgando se o comportamento dos policiais estava estava certo ou errado, acredito que a justificativa para essa segunda forma de ação, ou seja, a violenta, foi uma forma de mostrar trabalho e reprimir a movimentação.

Anônimo disse...

Como disse a Carina 'Os comportamentos diferentes podem ter variado segundo as instruções que eles tiveram.
No caso da manifestação da maconha, um assunto polêmico, agir com violência talvez tenha sido uma forma de querer reprimir o movimento.(Como o próprio texto cita, essa questão gera muito preconceito e a imagem da erva está fortemente relacionada ao tráfico.)', mas para mim nada disso dá a permissão de agir com violência nessa área e praticamente estar junto com o outro grupo de manifestantes. Não é porque são policiais, que têm o direito de agir de modo errado, como eles bem entenderem.

Natália, 20 anos, Vinhedo

Anônimo disse...

A liberdade de pensamento, expressão e manifestação é intrínseca a qualquer estado que se caracteriza como "democrático de direito". Por isso mesmo, é inaceitável qualquer tipo de discriminação de cunho racial ou sócio-econômico. Porém, todos tem o direito de protestar a favor ou contra algo, ainda que isso seja contra a lei vigente. No entanto, nesse caso, cada um que arque com o seu prejuízo na hora de enfrentar o Estado, uma vez que ele é o guardião das leis, ainda que, estas, em sua maioria, sejam produzidas a favor da elite de um determinado país e em detrimento da maioria não-abastada.

Anônimo disse...

A liberdade de pensamento, expressão e manifestação é intrínseca a qualquer estado que se caracteriza como "democrático de direito". Por isso mesmo, é inaceitável qualquer tipo de discriminação de cunho racial ou sócio-econômico. Creio que essas pessoas criticam pois não conhecem a utilidade e também os beneficios no caso do metrô. Nos demais casos o comportamento dos policiais estava certo ou errado, acredito que a justificativa para essa segunda forma de ação, ou seja, a violenta, foi uma forma de mostrar trabalho e reprimir a movimentação.

Éder Pessôa disse...

É interessante e ruim ver que num país dito democrático, ideias que ainda precisam de debate, como o caso da legalização ou não da maconha, são reprimidas. Teria que ser ao contrário, o governo deveria convocar a população para debater sobre o tema, e não reprimir qualquer manifestação de apoio.

Lamentável!

Éder Pessôa
23 anos
Campinas-SP

Anônimo disse...

Bom, eu acho que atitudes dos policia forma erradas, pois eles devem preservar os interesses publico, e liberdade de expressão e uma delas, e não apenas fazer os interesses do governo que só querem aumentar sua renda pessoal, e não colaborar com a vida civil do nosso país.

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